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O ELEFANTE ASIÁTICO

A Tailândia é um país incrível, exótico e com paisagens de sonho. No entanto, o elefante asiático, já anteriormente explorado ao ser utilizado para carregar troncos de árvores na indústria da madeira, vive agora um pesadelo semelhante: a exploração no turismo.

Pela Tailândia é comum ver elefantes que “dançam”, pintam quadros, jogam futebol ou interagem de alguma forma com os turistas. Estes elefantes amestrados, passam por maus tratos nos “bastidores”, são acorrentados o dia todo e forçados a fazer o que o homem quer durante horas a fio. E isso não é correto.

Todos nós temos o direito de querer um contacto mais próximo com os animais, nomeadamente com os elefantes asiáticos, mas existem formas de o fazer de forma mais consciente.

Tentámos ter a máxima atenção a isso na altura de escolher a forma como iríamos ter este contacto com eles. Em Khao Sok, o dono do alojamento onde ficámos (Monkey Mansion Bungalows) aconselhou-nos um local que se preocupava com os direitos destes animais, e onde eles não eram maltratados e sim protegidos. Foi uma experiência que voltávamos a repetir, no entanto, ainda contraditória.

Neste sítio, os animais não tinham quaisquer suportes em cima deles, carregam apenas o seu próprio peso, andam soltos, mas sim, são controlados e presos no final do dia. Mesmo estando num santuário que os protege, a experiência não foi 100% positiva, e aí começaram as nossas perguntas, para as quais nos deram sempre resposta.

O elefante asiático selvagem não existe nos dias de hoje na Tailândia. As florestas são demasiado pequenas para eles poderem estar à solta, sem representarem um perigo para as populações e para eles próprios. Com o surgimento de cada vez mais civilização, o elefante asiático entrou em extinção. Hoje em dia ele existe porque é criado em cativeiro. Não é de todo o cenário ideal, e aqui surge o primeiro pensamento contraditório: se não é possível que eles vivam livremente, é preferível deixar extinguir esta raça ou que nasçam e cresçam num ambiente controlado, onde se preocupam com eles?! Lamentamos, mas nós não temos uma resposta para vos dar em relação a este tema polémico.

Perguntámos quantos passeios com pessoas eles davam por dia, a resposta foi que no máximo 3, e grupos pequenos para que não exista perigo.

No entanto, no final do dia, o elefante foi acorrentado. Com uma corda grande sim, que lhe permite passear pela floresta, ir ao lago refrescar-se e beber água, mas nós, indignados, perguntámos o porquê. E lá veio a justificação: se eles passarem a noite à solta, pessoas poderão morrer, porque as estradas e casas não estão assim tão longe para uma passada de elefante.

Aqueles homens consideram os animais a sua família, brincam com eles, dão-lhes banho e garantem que eles gostam da vida que levam. Eles nascem nesta condição, tal como os nossos cães e gatos (também os há selvagens) e por isso até que ponto não serão realmente felizes?!

De qualquer forma, não conseguimos considerar esta experiência totalmente positiva, pois o ideal é ver um elefante num safari a correr livremente no seu habitat. Por isso pedimos: se forem à Tailândia, ter contacto com um elefante é uma experiência incrível, mas escolham o sítio com cuidado e pesquisem se faz parte da lista das associações protetoras antes de compactuarem com a exploração dos animais.

Podes conferir uma lista de sítios conscientes para visitares elefantes asiáticos, segundo o Lonely Planet aqui.

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Boas viagens!!

by umapranchaparadois